Nos tempos em que produzir crônicas esportivas não era um simples dever mas um estado de encanto aos leitores, Nelson Rodrigues tinha corriqueiro costume de encabular à todos com tamanha poética que empregava em seus dizeres, costumava referir ao Fluminense como sendo o único clube Tricolor, fazendo dos outros, meros times de três cores.
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Nesta noite, com colorido natural nas arquibancadas, Fluminense e Bahia, um tricolor e um de três cores, fecharam a décima rodada do Campeonato Brasileiro.
Magno Alves escreveu capítulos marcantes e históricos como jogador do Fluminense. Ele é o jogador que mais gols tinha feito em Brasileiros, no entanto, Fred buscava alcançar a marca dos 43 gols daquele, que hoje, defende as cores rubro-negras do Sport Recife.
Ele alcançou e até passou essa marca mas, seguindo a cronologia, vamos ao primeiro tempo.
Diga-se de passagem, difícil de tirar um momento reluzente. O Fluminense atacava mas parecia administrar o jogo para matar na hora certa. O Bahia buscava atingir a meta de Cavalieri de maneira certeira com o pentacampeão Kléberson, o experiente Mancini e o provocador centroavante Souza.
Se alguém resolvesse eliminar os 45 minutos iniciais do jogo não faria nenhuma diferença. O placar elástico foi todo construído no segundo tempo.
Aos 2 minutos, em bola enfiada por Deco, Wellington Nem sofreu pênalti de Marcelo Lomba. Fred cobrou, deslocou o goleiro e, naquele momento, atingia a marca de Magno Alves com 43 gols em gols marcados com a camisa tricolor em Brasileiros.
O Bahia até levou perigo ao Flu em alguns lances mas com pouca eficiência.
Sabendo atacar de maneira consciente e mostrando cada vez mais o controle que tinha sobre o jogo, o Fluminense aumentou a vantagem. Em cruzamento de Fred, aos 20, Thiago Neves cabeceou para ampliar.
Mais tranquilo e deixando o tempo correr, o Flu trocava passes e tinha, conforme o passar do tempo, mais certeza de que os 3 pontos estavam assegurados.
Em mais um pênalti, dessa vez de Danny Morais em cima de Fred, o camisa 9 não titubeou e estufou às redes do Bahia. Pela quadragésima quarta vez o matador do Fluzão vibrava com um gol que fizera, em jogos de Campeonatos Brasileiros, alegrando a torcida e entrando de vez para o topo de artilharia do clube na competição.
Wallace, lateral-direiro, mas que jogou improvisado do outro lado do campo, ainda achou tempo para o quarto, aos 42.
Com festa na torcida, invencibilidade mantida após dez rodadas e recorde alcançado por Fred, Nelson Rodrigues, se estivesse vivo, com certeza aplaudiria essa atuação. Não doS mas DO TRICOLOR!
Gustavo Henrique Metello
Colunista Convidado de Diário dos Esportes para o Camisa Tricolor.

